terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Pudim de Yorkshire


Alguns países são famosos pela diversidade de sabores que oferecem, ficando conhecidos pela sedução de sua gastronomia. É o caso da França, da Itália, da Espanha, apenas para citarmos os casos mais célebres. Outros, entretanto, ganharam fama pela péssima qualidade de sua gastronomia, seja pela falta de atributos visuais de seus pratos tradicionais, seja pela parca variedade de cores e aromas destes. Sem dúvida, o caso mais notável neste rol de injustiçados é o da Inglaterra, que amarga a tradição de ser o país apenas do “fish and chips”.

Para tentarmos entender um pouco mais as possibilidades que a culinária britânica nos oferece, primeiro precisamos compreender a mais comum iguaria inglesa, o pudim de Yorkshire. Trata-se de uma massa fofa e de aroma delicado, que faz elegante par com diversos tipos de complementos, razão pela qual nem é caracterizado como salgado, nem como sobremesa.

Ingredientes

• 2 xícaras (250g) de farinha de trigo
• 4 ovos
• 2 colheres de sopa de leite
• Uma pitada de sal
• ½ xícara de óleo para untar a fôrma
Modo de fazer
1. Misturar os ovos e o leite sem bater
2. Adicionar farinha gradativamente, até obter mistura cremosa que possa ser despejada em uma forma.
3. Adicione sal
4. Coloque a fôrma abundantemente untada com óleo no forno para pré-aquecer por 15 minutos.
5. Bata a massa na batedeira para uniformizar enquanto aquece a fôrma. Despeje a massa na fôrma pré-aquecida e asse por aproximadamente 12 minutos, até ficar dourada.
6. Sirva em seguida com a cobertura, molho ou recheio de sua preferência.

O exemplo desse pudim demonstra com clareza que a boa cozinha começa sempre com uma base simples e ganha dimensões artísticas com a criatividade dos recheios, molhos, coberturas e enfeites com que se adornam as receitas convencionais.

Beijocas

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Riskrem


O Natal se aproxima e, junto com ele, diversas receitas típicas desta festa florescem nas mais diferentes formas e cores. Para os cozinheiros mais curiosos e aqueles que estão dispostos a tentar algo diferente (pelo menos no Brasil), segue uma receita de RISKREM (creme de arroz), uma típica sobremesa natalina norueguesa:

Ingredientes (para 8 pessoas)
• 3/4 de xícara de arroz branco
• 1 colher de chá de sal
• 4 xícara de leite integral
• 1/2 xícara de açúcar
• 1 colher de chá de xarope de amêndoas
• 2 xícara de chantilly (primeiro bata o creme de leite, depois meça)
• 1/2 xícara de amêndoas picadas
• 1 amêndoa inteira, descascada
• Calda de frutas vermelhas (aquecer em fogo baixo duas xícaras de frutas vermelhas, uma xícara de água e 1 ½ colher de chá de maisena dissolvida em água)

Modo de fazer
1. Cozinhar o arroz no leite com o sal.
2. Adicionar açúcar e extrato de amêndoas. Deixar esfriar. Adicione as amêndoas picadas e a amêndoa inteira. Misture com o chantilly.
3. Antes de servir, cubra com a calda de frutas vermelhas.

De acordo com o costume, a pessoa que receber a amêndoa inteira tem direito a um pequeno presente adicional, tradicionalmente um porquinho de marzipan.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Staročeské Trdlo


Staročeské Trdlo

Algumas comidinhas são tão divertidas que deveriam ser declaradas patrimônio da humanidade pela UNESCO e, a partir daí, serem incluídas obrigatoriamente em todos os cardápios do planeta. É o caso do staroceské trdlo, uma espécie de eclair gigante sem recheio, recoberta por uma camada doce de canela. É feita a partir de uma massa bastante sovada manualmente, enrolada em grandes toras de madeira que giram em torno do próprio eixo, sobre uma fonte de calor que varia conforme as condições do local (lenha, gás, etc). É um doce bastante tradicional na República Tcheca, vendido em barraquinhas espalhadas pela cidade, que divertem crianças e turistas, além de serem responsáveis pelo adocicado aroma de canela que perfuma os quatro cantos de Praga.

Apesar de deliciosa e simples, ainda não tive a oportunidade de provar em lugar nenhum no Brasil esta iguaria. É por isso que o post de hoje é sobre a receita desta fábula, que alimentou a alma de pessoas intensas e inesquecíveis como Franz Kafka:

1kg de farinha
150g de manteiga
150g de açúcar
5 gemas
20g de fermento
200g de nozes
150g de açúcar
1 ovo para pincelar
Leite morno para dar ponto
Açúcar
Uma pitada de sal
Canela

Como fazer:

Misture a farinha, a manteiga, o açúcar, o leite, as gemas e uma pitada de sal. Misture a massa até uniformizá-la e dar-lhe consistência de massa de pão. Divida a massa em cinco partes iguais, coloque em um recipiente, cubra-o e deixe-a crescer por uma hora. Em seguida, estique e enrole separadamente cada uma das cinco partes da massa, dando-lhes a forma de um cordão achatado (como talharim) com aproximadamente um dedo de espessura. Enrole o cordão em um cilindro de metal ou madeira de aproximadamente cinco centímetros de diâmetro (normalmente, este é o momento da execução em que a criatividade precisa se sobressair em relação às limitações práticas...:), recobrindo-o de maneira uniforme, sem deixar espaço entre as voltas da massa. Pincele gema de ovo sobre a massa já enrolada e, em seguida, passe-a na mistura de nozes trituradas e açúcar.

Coloque os cilindros recobertos de massa no forno até dourarem. Retire do forno, corte os cilindros no tamanho desejado (normalmente são dez centímetros de comprimento) e passe-os na canela com açúcar.

O melhor da receita é comer quentinho, mas podem ser guardados para um lanche mais tarde...E, como há um espaço vazio no meio da massa, podem-se ainda acrescentar os mais variados tipos de recheio, fugindo um pouco da versão original, mas adaptando a base ao momento de quem a curte.

Beijocas

Quiche com Salada



Meninas que trabalham no centro da cidade e que tem a doce (???) pretensão de manter a forma mesmo na hora do almoço corrido (porém sentado), é bom prestar atenção em alguns modismos.

O famoso dueto "quiche com salada", composição onipresente nos cardápios mais pretensiosos da cidade, deve ser sempre lembrado como uma versão rebuscada da famosa empadinha com alface...E o que é pior, geralmente uma péssima empadinha.

Todos sabemos que quiches são feitos com massa podre (sim, este é o nome da massa), ou seja, farinha com margarina. Originalmente deveriam ser feitos com manteiga, mas todas sabemos que não é bem assim que acontece....

E o sofisticado recheio? A base é ovo batido com queijo de minas. E uma pitada de sal. Fleur de sel, se preferem assim, mas sempre sal....:)

Se for "quiche lorraine", o grau de elaboração do recheio é profundamente incrementado, uma vez que são pulverizados pedacinhos de bacon ou, na melhor das intenções, seu substituto light, o presunto. E ponto.

É por isso, meninas, que é bom estarmos atentas. Um pé de alface não custa mais de dois reais. E cada empadinha (quiche, desculpem) custa não mais do que um real cada para ser rapidamente produzida. Portanto, pagar vinte reais em média* por esta dupla dinâmica é a melhor forma de cometer uma injustiça com seu bolso e com sua alimentação. Antes de trocarmos nossos almoços por farinha, margarina, ovo e queijo, talvez seja melhor prestar atenção aos verdadeiros restaurantes, que servem comida honesta e não tão cara quanto esta pseudo-sofisticação...

*preço referente aos cafés do Rio de Janeiro

Beijocas